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Fórum Norte Gaúcho do Trigo e do Milho reúne mais de 260 participantes em Getúlio Vargas |
| Evento destacou cenário climático, tendências de mercado e estratégias de produção e gestão no agro |
O XIII Fórum Norte Gaúcho do Trigo e do Milho realizado na sexta-feira, 24 de abril, no Centro Comunitário Centenário, em Getúlio Vargas, consolidou-se como um dos principais espaços regionais de debate técnico do agronegócio. O evento reuniu mais de 260 participantes, entre produtores rurais, engenheiros agrônomos, técnicos, estudantes e lideranças, reafirmando a relevância das culturas de trigo e milho para a economia gaúcha.
Com o tema “A informação que fortalece o agro”, o Fórum foi promovido pelo Sindicato Rural de Getúlio Vargas, Prefeitura Municipal, Emater/RS-Ascar, Associação dos Engenheiros Agrônomos dos Municípios do Alto Uruguai (AEAMAU), Centro Universitário IDEAU (UNIDEAU) e ACCIAS, com patrocínio do Sicredi (Diamante), Senar (Prata) e Adubos Coxilha, Pioneer, Bayer e Banco do Brasil (Bronze).
Abertura destaca força do conhecimento e união do setor
Na cerimônia de abertura, lideranças ressaltaram o papel do Fórum como ferramenta de qualificação e tomada de decisão no campo. Representando as entidades organizadoras, o presidente do Sindicato Rural de Getúlio Vargas, Luiz Carlos Silva, enfatizou a importância da informação técnica diante dos desafios do agro.
O prefeito Pedro Paulo Prezzotto reforçou o apoio do poder público às iniciativas que promovem desenvolvimento regional. “Eventos como este fortalecem o produtor rural e contribuem diretamente para o crescimento econômico do município e da região”, destacou.
Molion aborda El Niño e alerta contra alarmismo
Abrindo o ciclo técnico, o meteorologista Luiz Carlos Molion apresentou uma análise técnica do comportamento climático recente e das tendências para 2026, com forte ênfase na variabilidade natural do clima e na necessidade de interpretação crítica das previsões.
Molion iniciou com um diagnóstico dos últimos 90 dias, destacando que a região Sul registrou chuvas abaixo da média e mal distribuídas, com redução significativa dos volumes, o que impacta diretamente a produtividade agrícola.
Ao abordar os fenômenos climáticos globais, tratou do El Niño, contestando o que classificou como “alarmismo” sobre a possibilidade de um super evento. Segundo ele, as probabilidades divulgadas internacionalmente vêm sendo interpretadas de forma equivocada, já que incluem diferentes intensidades do fenômeno. “Não há base científica para afirmar que teremos um super El Niño neste momento”, afirmou.
O meteorologista explicou que o comportamento climático não depende apenas da temperatura das águas do Pacífico, mas principalmente da interação com a atmosfera, por meio da Oscilação Sul. Destacou ainda que pode haver aquecimento do oceano sem acoplamento atmosférico, o que descaracteriza um El Niño clássico.
Em relação às projeções, com base em análise por similaridade climática, indicou: chuvas abaixo da média no inverno, especialmente entre julho e agosto; volumes acima do normal no final do ano; temperaturas mais baixas, com possibilidade de geadas.
Molion também enfatizou a dificuldade de prever eventos localizados, como tempestades, e recomendou o uso de observação em tempo real, como imagens de satélite, para apoio à tomada de decisão no campo.
Em tom crítico, o meteorologista questionou a forma como o debate climático vem sendo conduzido, especialmente no ambiente público e midiático, destacando que eventos extremos sempre ocorreram ao longo da história. “Os eventos extremos sempre existiram e continuarão existindo. A natureza não pode ser comandada. Nós temos que nos adaptar a ela”, afirmou.
Agricultura regenerativa e sistemas mais resilientes
Na sequência, o engenheiro agrônomo Diego Aléssio abordou os sistemas de produção mais resilientes, com ênfase na agricultura regenerativa. O palestrante destacou práticas voltadas à saúde do solo, à eficiência no uso de recursos e à sustentabilidade da produção.
Aléssio defendeu que a adoção de tecnologias e manejos mais integrados permite não apenas ganhos produtivos, mas também maior estabilidade diante das adversidades climáticas. “Produzir com equilíbrio entre solo, planta e ambiente é o caminho para garantir resultados consistentes no longo prazo”, ressaltou.
Mercado de milho e trigo: fundamentos e estratégias
Um dos momentos mais aguardados do evento foi a palestra do economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, que trouxe uma análise detalhada do mercado de milho e trigo para 2026.
Segundo ele, o cenário do milho apresenta fundamentos positivos, impulsionados pelo crescimento da demanda global e pela expansão dos biocombustíveis. “Mais importante do que opinião é entender os dados. O mercado toma decisões com base em informações concretas”, afirmou.
O economista destacou que a relação entre oferta e consumo permanece ajustada, com estoques mais baixos e consumo crescente, o que tende a sustentar preços melhores em relação ao ano anterior. Também chamou atenção para o aumento do consumo interno no Brasil, impulsionado pela produção de etanol de milho e pela cadeia de proteínas animais.
Por outro lado, o cenário do trigo é mais desafiador, com aumento da produção mundial e maior oferta global, o que pressiona preços e exige cautela por parte dos produtores.
Ao abordar estratégias de comercialização, Antônio da Luz foi enfático ao destacar a importância do planejamento. “A diferença entre vender no melhor e no pior momento pode chegar a mais de 30%. Antes de pensar em ganhar mais, o produtor precisa evitar perder”, pontuou.
Oportunidades do agro e papel estratégico do setor
Encerrando a programação, o superintendente do Senar/RS, Eduardo Condorelli, ampliou o debate ao tratar das oportunidades do agro gaúcho e do papel estratégico da atividade para a sociedade.
Ele ressaltou a contribuição do setor não apenas na produção de alimentos, mas também na geração de energia, renda e desenvolvimento regional. “O agro movimenta toda a economia e melhora a qualidade de vida das cidades. Quando o agro vai bem, a sociedade avança junto”, destacou. Condorelli também chamou atenção para desafios estruturais, como infraestrutura, crédito e gestão das propriedades, além da necessidade de fortalecer a imagem do setor junto à sociedade.
Sicredi reforça parceria com o agro e apoio ao produtor
O Fórum também abriu espaço para a participação institucional do patrocinador diamante. Representando o Sicredi, o gerente de Desenvolvimento Agro, Ademir Iorkoski, destacou o papel da cooperativa no apoio ao produtor rural. Em sua fala, ele reforçou o compromisso da instituição com o desenvolvimento do agronegócio, por meio de soluções financeiras, crédito orientado e incentivo à gestão eficiente das propriedades. “O Sicredi acredita na força do produtor rural e trabalha para oferecer ferramentas que contribuam para decisões mais seguras e sustentáveis”, afirmou. Iorkoski também salientou a importância de eventos como o Fórum, que aproximam conhecimento técnico e realidade do campo, fortalecendo toda a cadeia produtiva.
Conhecimento como base para decisões no campo
Ao final do evento, a organização destacou que o Fórum cumpriu seu papel ao promover a integração entre conhecimento técnico e prática no campo. A participação expressiva do público reforçou a importância de espaços que incentivem a troca de experiências e a atualização constante.
O XIII Fórum Norte Gaúcho do Trigo e do Milho encerrou com a convicção de que a informação qualificada é essencial para enfrentar os desafios do agronegócio e ampliar a competitividade do setor na região.
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