ENTREVISTA
Dr. Ilson Romeu Schirmbeck: aos 88 anos de idade, completa mais de seis décadas no exercício da medicina
   
Além do exercício da medicina, Schirmbeck é artista e já possui mais de 150 telas de pintura

Por Redação, Nilton Carlos Pergher, Tribuna Getuliense
21/05/2021 20h52

Nesse momento em que tanto se fala de profissionais da saúde, é indispensável dar o devido destaque também, a um médico que, aos 88 anos de idade, continua exercendo a função com a mesma dedicação e carinho de quando iniciou, há 63 anos, acompanhando todas as transformações que houve ao longo dessas mais de seis décadas.
Ilson Romeu Schirmbeck nasceu no interior do município de Getúlio Vargas, na localidade de Km 5, no dia 9 de janeiro de 1933. As primeiras lições aprendeu na escola municipal daquela comunidade, onde cursou o 1° e 2° anos primários e ainda lembra muito bem de sua primeira professora: Olivia Knapp.
Ilson relata que ela se deslocava da cidade todos os dias com uma charrete (aranha). Já o 3º e 4º anos cursou no Colégio Cristo Rei dos irmãos maristas em Getúlio Vargas, na condição de internato.
Dr Ilson comenta que a sua infância foi de liberdade, própria de quem reside no interior, “curiosidade na descoberta do mundo”, salienta. “Fazia bodoques, retirava taquara do mato para confecção de pandorgas de todos os tipos, confecção de arco e flecha usando penas de galinha para dar rotação nas flechas, carrinhos, jogo de bolinha de vidro e corridas”, completa o médico.
Ainda de acordo com Dr. Ilson, a sua juventude foi na disciplina própria do internato que serviu para o resto da vida. O seu interesse pela Medicina, veio desde muito cedo, ainda quando criança, ao ouvir dos fregueses da loja dos seus pais, que relatavam sofrimento pelas doenças em familiares e às vezes mortes. “Minha mãe tinha problemas de estômago, e eu mesmo fiquei com febre alta e amigdalite. Todos esses fatos me influenciaram, além da tendência natural”, explica.

 


A faculdade de Medicina, Dr. Ilson cursou na Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, onde concluiu os estudos no dia 17 de dezembro de 1958, junto com sua esposa, Dra Terezinha.
A sua residência médica foi realizada no Hospital dos Servidores (H.S.E) (hospital federal), nos anos de 1959 e 1960, também junto com sua esposa.
Ilson conta que naquela época ainda o governo federal estava no Rio de Janeiro. “Em meados de 1960, o presidente Jucelino Kubischeck, esteve no Hospital visitando um senador que se encontrava hospitalizado. Nesta ocasião, com alguns colegas falamos com o presidente, que também era médico e iria inaugurar Brasília em junho de 1960. Pedimos para conhecer a nova capital, e ele nos disse que dentro de 3 a 4 meses seria possível. De fato três meses depois havia um avião disponível para levar os médicos residentes que não estavam de trabalho para conhecer Brasília. Saímos do Rio de madrugada e voltamos à noite”, lembra ele.
Dr. Shirmbeck ressalta ainda que na mesma época, esteve no hospital o professor Zerbini (cardiologista), que fez conferência a respeito da preparação que estava fazendo para o primeiro transplante de coração no Brasil.
Em Getúlio Vargas, na época, tinha três médicos atuando: Dr. Olavo, Dr. Adélio e Dr Vasconcelos, recorda Ilson, destacando que era natural iniciar o exercício da medicina onde moravam seus pais, irmãos e parentes.
Além de atuar no Hospital São Roque, Schirmbeck ressalta que há algum tempo, em algumas ocasiões, realizou cirurgias também no Hospital São José de Sertão e no Santo Antônio em Estação.
Entre suas funções, exerceu o cargo de diretor médico do Hospital São Roque por vários anos e foi secretário da saúde de Getúlio Vargas na gestão do prefeito Beledelli. Ainda, Perito do Detran há mais de 40 anos, e em 1997 por concurso, passou a pertencer a ABRAMET - Associação Brasileira da Medicina do Trafego.
Além disso, Perito da Unimed para procedimentos médicos e para a entrada de novos beneficiários nos planos de saúde da Unimed.

 


Entre as muitas lembranças daquele tempo, Ilson salienta que havia casos em que o paciente era atendido em casa, inclusive no interior, às vezes longe. O pior era nos dias de chuva e estradas com barro. Dr Ilson sempre fazia esses trajetos com um Jeep e ressalta que atravessava rios, passava por pontes e até pinguelas, indo até o final do município na divisa com Sananduva.
Falando sobre as mudanças que houve na medicina nesse tempo todo, Dr. Ilson salienta: “De um lado, o progresso da medicina foi extraordinário, na parte técnica – novos exames laboratoriais, para facilitar a identificação de doenças e terapias. O diagnóstico por imagem no passado era RaioX simples, hoje tem ecografia, tomografia, ressonância Magnética. A medicação, os antibióticos, enfim em todas as áreas de terapia medicamentosas, inclusive do câncer. Nos procedimentos cirúrgicos por vídeo, como também diagnósticos, transplantes de pulmão, rins, fígado e coração.”
Entre os desafios atuais dentro de sua profissão, Ilson cita o tempo curto para atender um grande número de pessoas, em geral no atendimento público. “O correto seria, mais tempo para ouvir melhor o paciente assim como um exame clinico mais efetivo, para que a relação médico-paciente seja produtiva”, comenta.
Na família, além de Ilson, existem diversos outros médicos: sua esposa (Dra. Terezinha), o seu irmão mais novo, a sua neta (Natalie) e ainda: quatro sobrinhos, um primo e uma prima.
Em relação à atual pandemia, Dr. Ilson comenta: “A pandemia do Corona-vírus foi uma surpresa pela rapidez da infecção e morbidade. No passado a gripe espanhola provocou milhares de mortes. Hoje a vacina é a solução (duas doses). No Brasil os cuidados irão até o final do ano ou mais devido a lentidão da vacinação.”

 

Dr. Ilson enfrentou e venceu o câncer
 

“Em 2006 suspeitei de alguma doença intestinal que após exames foi confirmado tratar-se de câncer intestinal. Fui operado em Passo Fundo pelo meu Sobrinho Dr. Fabiano Schirmbeck e após tratamento com oncologista. A quimioterapia foi longa, com os transtornos próprios desta medicação. No tempo do tratamento, alguns meses, fiquei em repouso, e aproveitei para distração a pintura e mais tarde aula de pintura e também de canto. Hoje tenho mais de 150 telas pintadas e registradas em álbum (imagem na galeria abaixo). Nunca duvidei que ficaria bom, pois ainda tinha muito a fazer.
Ao chegar no alto da montanha do tempo, vivendo os 63 anos no exercício da medicina, e olhando para trás o caminho percorrido, vemos que praticamos a boa luta em benefício da vida, que é o nosso maior bem, e a saúde a suprema riqueza.
Também com o conhecimento e experiência adquiridos com o tempo, conseguimos julgar pessoas e fatos numa perspectiva mais ou menos integral do conjunto.”


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