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CIDADES |
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Bullying: você sabe como seu filho se sente na escola? |
| Ninguém deveria sentir medo de ir à escola ou esconder quem é para ser aceito |
A escola deveria ser um lugar seguro, onde as diferenças, as qualidades e as dificuldades fossem compreendidas como parte natural do desenvolvimento humano e trabalhadas de forma respeitosa, com acolhimento, sem julgamentos e com amorosidade. Infelizmente, porém, nem sempre é assim. Para muitas crianças e adolescentes, a escola pode representar um espaço de risco, um ambiente hostil, inseguro e até traumatizante.
O bullying vai muito além de uma brincadeira: é uma forma de violência que deixa marcas profundas na mente e no coração. O dia 20 de outubro é dedicado à reflexão sobre o poder das palavras e o impacto das nossas atitudes na vida do outro. Segundo o IBGE, na PeNSE 2024, 27,2% dos estudantes brasileiros relataram sofrer bullying de forma recorrente. No mundo, a UNESCO estima que um em cada três estudantes sofre bullying na escola a cada mês.
Por trás desses números, existem pessoas, histórias e sentimentos que merecem ser respeitados. Psicologicamente, a humilhação constante pode abalar a autoestima, provocar insegurança, isolamento e sofrimento emocional. O mais doloroso é quando a vítima começa a acreditar nas ofensas e deixa de reconhecer o próprio valor.
As consequências desse sofrimento recorrente podem ser devastadoras, especialmente quando não há um olhar atento, pautado no cuidado, na escuta e na empatia. É fundamental que cada criança e adolescente seja visto, ouvido e acolhido para que, por meio de intervenções responsáveis e efetivas, compreenda que não está sozinho e que existem caminhos para enfrentar e superar essa realidade.
Enquanto pais, não devemos estar atentos apenas à possibilidade de nossos filhos estarem sendo vítimas de bullying, mas também precisamos estar vigilantes para reconhecer se, em algum momento, eles podem estar praticando esse tipo de violência. Somos diretamente responsáveis por sua educação, orientação e formação emocional, e isso exige de nós não apenas amor e proteção, mas também presença, diálogo e responsabilidade.
Por trás de atitudes agressivas, humilhações e tentativas de controlar ou excluir os colegas, podem existir diferentes fatores, como dificuldades para lidar com as próprias emoções, necessidade de aceitação, busca por reconhecimento, exposição a modelos agressivos de relacionamento ou dificuldade em reconhecer e respeitar os sentimentos do outro.
Compreender esses fatores, porém, não significa justificar tais comportamentos, mas identificar o que precisa ser trabalhado para que não se perpetuem. A criança precisa aprender a reconhecer o impacto de suas atitudes, responsabilizar-se por elas e compreender que toda ação tem consequências. Esse processo exige limites claros, diálogo, acompanhamento familiar e escolar e, quando necessário, apoio psicológico.
Afinal, educar também significa ter coragem de corrigir, orientar e ensinar que o respeito ao outro não é uma escolha, mas um princípio fundamental para a convivência humana.
Combater o bullying é promover empatia, respeito às diferenças e responsabilidade pelas próprias atitudes. Que este dia seja símbolo de um movimento permanente para que aprendamos, desde cedo, a acolher, defender e ouvir aqueles que muitas vezes sofrem em silêncio.
Afinal, ninguém deveria sentir medo de ir à escola ou esconder quem é para ser aceito. Neste 20 de outubro, escolha ser a voz de quem precisa de apoio e a mão estendida a quem se sente sozinho.
Prestemos mais atenção ao nosso redor, como colegas, professores, membros da comunidade escolar e, principalmente, como pais. Vamos criar espaço para que as crianças se sintam seguras para compartilhar seus medos, suas dificuldades, suas alegrias e seus sentimentos.
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