|
CIDADES |
|
XIII Fórum Norte Gaúcho da Soja reúne mais de 250 produtores e especialistas para discutir clima, mercado e manejo |
| No centro do debate os desafios da safra 2026-2027, com atenção ao avanço do El Niño, às perspectivas de mercado e às estratégias de manejo capazes de reduzir os impactos de eventos climáticos extremos |
Informação técnica para transformar incertezas em decisões mais seguras no campo. Com essa proposta, o XIII Fórum Norte Gaúcho da Soja reuniu mais de 250 participantes, entre produtores rurais, profissionais da área, estudantes, lideranças e representantes de entidades, na sexta-feira, 21 de agosto, na comunidade de São João Vianei, em Ipiranga do Sul. Sob o tema “A Informação que Fortalece o Agro”, o encontro promoveu uma manhã de debates diretamente relacionados ao planejamento da próxima safra.
A programação reuniu quatro eixos que hoje estão entre as principais preocupações de quem produz: o comportamento do clima diante do fortalecimento do El Niño, o mercado da soja, o manejo do solo para enfrentar eventos extremos e o controle de doenças em um cenário de maior umidade.
Na abertura, a gerente regional da Emater/RS-Ascar, Fernanda Angonese, falou em nome das entidades organizadoras e destacou que, ao longo de suas edições, o Fórum se consolidou como espaço de acesso a informações qualificadas para auxiliar agricultores, técnicos e estudantes na tomada de decisões. “É só com a informação qualificada que nós podemos tomar a melhor decisão para a nossa lavoura, para a nossa atividade produtiva”, afirmou.
O prefeito de Ipiranga do Sul, Marco Antônio Sana, deu as boas-vindas aos participantes e ressaltou a importância da continuidade do evento no município. Segundo ele, o Fórum cumpre uma função essencial ao levar conhecimento ao meio rural e contribuir para que as novas informações e tecnologias cheguem aos produtores.
El Niño exige atenção, mas intensidade não significa desastre
A meteorologista Estael Sias, da MetSul Meteorologia, abriu a programação técnica com a palestra “Como ficará o clima em 2026/27 com El Niño ganhando força”. Ela destacou a importância de o produtor trabalhar com dados técnicos e acompanhamento permanente, evitando conclusões alarmistas baseadas apenas na intensidade do fenômeno.
Estael explicou que o El Niño de 2026 está se formando rapidamente e tende a ganhar força nos próximos meses. No entanto, enfatizou que a intensidade do aquecimento do Oceano Pacífico, isoladamente, não determina a dimensão dos impactos. “Um El Niño forte não é sentença”, destacou, lembrando que outros componentes da atmosfera interferem diretamente na distribuição e no volume das chuvas.
Para o Norte do Rio Grande do Sul, os diferentes modelos analisados convergem para chuvas acima da média, especialmente entre outubro e janeiro, com maior atenção para novembro, dezembro e janeiro. Isso não significa chuva contínua, mas maior frequência e possibilidade de episódios intensos, intercalados com períodos de tempo firme.
A meteorologista também comparou o cenário atual com episódios anteriores. Segundo ela, os chamados análogos climáticos para 2026/2027 apresentam maior aproximação com os eventos de 1997/1998 e 2015/2016, e não com 2023/2024. Para a agricultura regional, um dos pontos de atenção será o plantio, que poderá enfrentar períodos de excesso de umidade. Já para a colheita, ainda é cedo para uma projeção mais precisa, devendo haver informações mais consistentes nos próximos meses.
Mercado sinaliza melhores perspectivas
As perspectivas econômicas foram abordadas pela economista sênior da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Danielle Montiel Guimarães, na palestra “Análise e Perspectivas do Mercado de Soja”. Ela analisou o cenário de oferta e demanda mundial, estoques, preços internacionais e câmbio, destacando que o mercado apresenta sinais mais favoráveis para 2027, embora permaneça condicionado principalmente ao comportamento das safras brasileira e norte-americana.
Danielle destacou que a demanda mundial por soja permanece firme, enquanto produção e consumo estão em níveis próximos, com perspectiva de redução dos estoques. Nesse cenário, eventuais problemas climáticos nas principais regiões produtoras podem trazer maior sustentação às cotações. Para o produtor brasileiro, porém, o resultado também dependerá do comportamento do câmbio, que interfere diretamente na formação do preço recebido no País.
A economista avaliou que o cenário de mercado para a próxima safra tende a ser mais favorável, mas ressaltou que o resultado efetivo para o produtor dependerá também do desempenho das lavouras, em um ciclo ainda cercado por incertezas climáticas. A economista também ressaltou a importância de não concentrar a comercialização em um único momento, defendendo que o produtor acompanhe o mercado e distribua suas decisões de venda ao longo do ciclo, reduzindo riscos e aproveitando possíveis oportunidades.
Solo preparado para enfrentar extremos
O manejo do solo como ferramenta para reduzir os impactos dos eventos climáticos extremos foi abordado pelo engenheiro agrônomo e analista da Embrapa Marcelo Klein, na palestra “Manejo do Solo para Mitigar Eventos Extremos”. Segundo ele, embora o produtor não tenha controle sobre o clima ou o mercado, pode adotar práticas capazes de tornar o sistema produtivo mais resiliente.
“O produtor não gerencia clima, não gerencia mercado, mas ele gerencia o manejo do seu solo”, destacou. Klein reforçou a importância da correção da acidez, do equilíbrio da fertilidade, da cobertura vegetal e, principalmente, da formação de um sistema radicular profundo, capaz de ampliar o acesso da soja à água e aos nutrientes.
Ao apresentar resultados de pesquisas, Klein mostrou que um solo bem manejado apresenta melhores condições para responder aos eventos climáticos extremos, tanto em períodos de déficit hídrico quanto em situações de excesso de chuva.Parte inferior do formulário
Maior umidade exige atenção ao manejo de doenças
Encerrando os painéis técnicos, o engenheiro agrônomo e doutor em Fitopatologia Carlos Alberto Forcelini apresentou a palestra “Atualização no manejo de doenças em soja, sob condições de El Niño”. Ele destacou que a perspectiva de uma safra com maior volume de chuvas aumenta a necessidade de atenção às doenças, tanto de raízes quanto da parte aérea da soja. Por outro lado, lembrou que anos sob influência do El Niño também podem apresentar condições favoráveis a boas produtividades.
Forcelini apresentou resultados de ensaios conduzidos em diferentes regiões do Sul do Brasil, realizados em parceria com produtores, além de dados de safras anteriores marcadas pela ocorrência do El Niño. Segundo ele, os trabalhos são desenvolvidos em cerca de 20 locais, principalmente no Rio Grande do Sul, mas também em Santa Catarina e no Paraná, permitindo avaliar o comportamento das doenças e a resposta das estratégias de controle em diferentes condições.
Entre os pontos de atenção para a próxima safra, o fitopatologista destacou a fitóftora, doença favorecida pelo encharcamento do solo e que pode causar maiores prejuízos quando o excesso de umidade ocorre logo após a semeadura. Experiências de anos anteriores mostram, segundo Forcelini, a importância de antecipar riscos e adotar estratégias de manejo capazes de proteger o potencial produtivo da cultura. “Na medida em que tivermos uma safra com bastante chuva, sabemos que nesses anos há muito mais problemas de doenças”, afirmou. O objetivo, explicou, é aproveitar o potencial produtivo associado à maior disponibilidade de água, mas com maior segurança no controle das doenças.
Gestão financeira também entra na pauta
O Fórum contou ainda com espaço institucional do Sicredi, patrocinador Diamante desta edição, com a participação do gerente de Desenvolvimento de Negócios Agro, Ademir Iorkoski. Em sua manifestação, ele chamou atenção para a necessidade de o produtor tratar a gestão financeira com o mesmo rigor dedicado aos aspectos técnicos da lavoura.
Iorkoski destacou que os últimos ciclos reuniram condições difíceis, com quebras de produção, preços menores e juros elevados, afetando a capacidade financeira de parte dos produtores. Por isso, defendeu planejamento, acompanhamento do fluxo de caixa e decisões baseadas em números. “Além de fazer análise de solo, tem que fazer análise da sua condição financeira”, afirmou.
Fórum reforça papel da informação na tomada de decisão
Ao reunir clima, mercado, solo, sanidade vegetal e gestão financeira em uma mesma programação, o XIII Fórum Norte Gaúcho da Soja reforçou uma visão integrada da produção. As diferentes palestras convergiram para um ponto: diante de uma safra cercada por variáveis climáticas e econômicas, informação qualificada, planejamento e acompanhamento técnico serão decisivos para reduzir riscos e aproveitar oportunidades.
O XIII Fórum Norte Gaúcho da Soja foi promovido pelo Sindicato Rural de Getúlio Vargas, Prefeitura Municipal de Ipiranga do Sul, Emater/RS-Ascar, Associação dos Engenheiros Agrônomos dos Municípios do Alto Uruguai (Aeamau), Centro Universitário Ideau (Unideau) e Associação Comercial, Cultural, Industrial e de Agropecuária de Getúlio Vargas (Accias).
O evento teve o Sicredi como patrocinador Diamante; Olfar Agro e Sicoob Crediauc como patrocinadores Ouro; Senar/RS como patrocinador Prata; Bayer, Cotrijal, Cordius e Adubos Coxilha como patrocinadores Bronze; e Banco do Brasil como apoiador.
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |





