SAÚDE
Tabagismo lidera fatores de risco para o desenvolvimento de câncer
   
O RS está no topo do ranking de diagnósticos dos cânceres que têm o tabaco como uma das causas

Por Redação, com informações CTCAN Passo Fundo, Tribuna Getuliense
31/05/2021 18h12

Tabagismo é a principal causa de morte evitável no mundo e está associado a mais de 10 tipos de câncer. Além disso, tem relação com outras diversas doenças, desde as do aparelho respiratório a doenças cardiovasculares. A estimativa é que, a cada ano, cerca de 157 mil brasileiros morram precocemente devido às doenças causadas pelo tabagismo. Os malefícios são incontáveis, por isso, a campanha do Dia Mundial Sem Tabaco, que ocorre em 31 de maio, reforça a importância da conscientização sobre os efeitos mortais e nocivos do tabaco. 

Só em relação ao câncer, o tabagismo é responsável por 30% das mortes, especialmente, pelos tumores de pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga, colo do útero, estômago e fígado. Os cânceres de traqueia, brônquios e pulmões lideram o ranking de mortalidade por câncer no Brasil, sendo responsáveis por mais de 30 mil mortes por ano. No Rio Grande do Sul, esses três tipos matam mais de 3,5 mil gaúchos por ano. O Estado gaúcho lidera ainda o ranking de diagnósticos para esses cânceres, com uma taxa estimada de 30,07 casos para cada 100 mil homens e 16,87 casos para cada 100 mil mulheres.

O oncologista do Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN), Dr. Alex Seidel, enfatiza que o cigarro contém mais de 7 mil substâncias químicas diferentes, dos quais mais de 70 são conhecidas por serem cancerígenas ocasionando mutações do DNA. “As pessoas que fumam cerca de um maço por dia desenvolvem cerca de 150 mutações genéticas adicionais a cada ano em seus pulmões, e é por isso que os fumantes possuem um risco maior de desenvolver câncer de pulmão. O tabaco é responsável por até 90% de todos os cânceres de pulmão”, alerta o oncologista.

O tabaco é uma epidemia global e mata mais de sete milhões de pessoas por ano. Estima-se que, até 2030, o tabaco será a terceira doença que mais leva pessoas a óbito no mundo, ficando atrás apenas do infarto e do AVC. Para os que fumam, o oncologista do CTCAN enfatiza que parar de fumar pode reduzir o risco do câncer e de diversas doenças. “Dez anos sem fumar significam reduções importantes nos riscos de infarto, derrame e câncer de pulmão”, revela o oncologista do CTCAN.

O aposentado Jair Antunes França, de 58 anos, foi diagnosticado com câncer de pulmão com metástase cerebral em dezembro de 2020. Ele conta que fumou durante grande parte da vida, desde os 16 anos. “Me senti mal perto do Natal e fui consultar. Depois de fazer alguns exames, constatamos o câncer de pulmão. Eu fumava há muito tempo, variava de uma carteira a uma e meia por dia. Quando eu estava no hospital, decidi parar de fumar. Já tinha tentado outras vezes, mas desde lá nunca mais peguei um cigarro. Eu me sinto bem melhor. Eu sempre falo para meus amigos que fumam, que é preciso ter força de vontade. Isso é o principal”, relatou o aposentado, que responde bem ao tratamento e faz acompanhamento médico mensalmente.

Fumantes têm mais chances de desenvolver a forma severa da covid-19 


O tabagismo é uma doença crônica, causada pela dependência à nicotina presente nos produtos à base de tabaco, causando diferentes tipos de inflamação e prejudicando os mecanismos de defesa do organismo. Conforme Seidel, esses são alguns dos motivos para os fumantes terem maior risco de infecções por vírus, bactérias e fungos, sendo acometidos com maior frequência por sinusites, traqueobronquites, pneumonias e tuberculose. “Por isso, quando se trata de covid-19, os fumantes têm mais chances de desenvolver a forma severa da doença”, salienta o oncologista, destacando que, além disso, o tabaco é fator de risco para o contágio do coronavírus. “O ato de fumar proporciona constante contato dos dedos com os lábios, aumentando a possibilidade da transmissão do vírus para a boca”, enfatiza o oncologista do CTCAN.


   

  

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