VARIEDADES
Físico sertanense escreve sobre eclipse solar parcial de 14 de dezembro
   

Por Divulgação
16/01/2021 17h21

O ECLIPSE SOLAR PARCIAL DE 14 DE DEZEMBRO DE 2020

O interesse sobre a natureza vem desde os tempos da pré história. Naquela época o céu vem sendo estudado, sem qualquer conhecimento das leis da natureza (Física), com objetivo prático para prever a melhor época de plantio, e colheita, ou com objetivo de entender o caminho aparente do Sol no céu durante o ano. Os registros sistemáticos de fenômenos eram feitos, permitiu que fosse descoberto um ciclo repetitivo de eclipses. Os povos buscavam diante desse fato a possível relação entre o comportamento humano, sua história e o ciclo de eclipse, por ser parte de uma época onda a imaginação e a diversidade dos locais estimulava a crença de deuses do céu, da colheita, da chuva e mesmo da vida.

Hoje sabemos que eclipses solares ocorrem quando a Lua se posiciona entre o Sol e a Terra de maneira a ocultar a estrela total ou parcialmente. Os Físicos criaram modelos matemáticos bem sofisticados que os permitiram predizerem os eclipses, diretamente, sem necessidade da consulta nos registros antigos. Um eclipse acontece sempre que um astro entra na sombra de outro. Quando a Terra é atingida pela sombra da Lua acontece um dos eventos mais espetaculares do céu: um eclipse solar, onde apenas é possível prestigiá-lo nos momentos em que a Lua se encontra na fase nova e se alinha com o Sol e a Terra. O eclipse solar ocorre com frequência, mas é relativamente raro sua observação no mesmo ponto da Terra, uma vez que as órbitas da Terra e da Lua tem diferentes formatos e se encontram em posições distintas.

1) FASES DO ECLIPSE SOLAR

O bloqueio da luz solar projeta uma sombra sobre a Terra, figura 1. Assim, é fácil entender que ocorrem durante a ocultação algumas fases distintas (eclipse solar parcial ou total) do ponto de vista da Terra. Uma pequena região da Terra fica escura por causa da projeção da sombra lunar. É nessa região chamada de umbra, se observa o eclipse na sua totalidade. Nos arredores da umbra, encontra-se a penumbra, onde é possível contemplar um eclipse solar parcial. A figura 1 mostra a projeção da sombra umbra (região escura), e da penumbra (região parcialmente iluminada) na Terra durante o eclipse solar. E na parte inferior vemos a aparência da fonte de luz solar do ponto de vista dos observadores da Terra A, B, C e D.

Esquematização da grande coluna de sombra projetada na Terra durante um eclipse solar, a região da umbra, da penumbra, e da aparência da fonte luz solar, do ponto de vista dos observadores da Terra A, B, C e D.

Recomenda-se a não observação direta para o eclipse solar, mesmo com aparelhos óticos. A quantidade de luz entra mais facilmente pelos olhos, atinge a retine e causa queimaduras graves se os procedimentos de segurança corretos não forem cuidadosos. O mal uso de aparelhos de observação, assim como a observação direta com celulares, câmeras, telescópios ou binóculos sem filtros, óculos de sol comum ou chapas de raio x pode causar cegueira instantânea ou gradual sem regressão.

2) O MÉTODO PARA OBSERVAÇÃO

Um bom resultado durante as observações envolve maior segurança, recorre à projeção da imagem solar num alvo (observação indireta) através do uso de telescópio ou binóculo, ambos equipados com filtros apropriados, figura 2.

 A projeção indireta da imagem do Sol durante o eclipse solar com binóculos.

Um telescópio refrator é dotado por um conjunto de lentes, peças de vidros em forma curva, capta a luz para formar a imagem de algum objeto que se encontra distante. Alguns telescópios são chamados de luneta astronômica, podendo eles facilmente serem configurados para observação do Sol, mediante algum material (filtros de polímeros em geral). A proteção solar se dá pelo bloqueio parcial dos raios ofuscantes pelo filtro, favorecendo a utilização fotográfica sem que danifique a câmera. Os materiais promovem agilidade e facilidade ao estilo de vida moderna, favorecendo também na observação do Sol. Mesmo as condições meteorológicas pouco favoráveis para observação desse fenômeno, eu resolvi fazer esse momento, um momento oportuno para promover a divulgação e popularização da ciência, tecnologia e inovação. Fico pensando se aguardamos por dias melhores, enquanto se mantém a coerência anticientífica, e a prática da desinformar para promover o caos. A sociedade deve ter a visão da procura constante pela apropriação do saber, do mundo norteado pela certeza da ciência, pois é a verdadeira geradora de bem-estar e progresso. O futuro não vem pronto, ele é preparado por nós, gastar com ciência e preparação não é caridade.

O futuro não vem pronto, ele é preparado por nós, gastar com ciência e preparação não é caridade. É investimento.”

Deiverti de Vila Bauer, 32 anos, Bacharel em Física e Mestre em Ciência dos Materiais pela UFRGS, é natural do município de Sertão-RS e fixou residência em Porto Alegre em 2008. Atualmente é aluno de doutorado em Ciência dos Materiais, pela mesma universidade. Seu doutoramento é financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e dedica-se integralmente às atividades acadêmicas e de pesquisa pelo Programa de Pós graduação em Ciência dos Materiais (PGCIMAT) da UFRGS.

A maior parte do Brasil teve oportunidade para observar o fenômeno. A região Sul teve a melhor condição. O Sol foi encoberto parcialmente, no entanto quem estava observando enfrentou dificuldades por conta da condição climática prevista. Uma grande quantidade de nuvens ofuscou a observação. Eu tive sorte: algumas regiões do RS puderam observar na sua parcialidade. No município de Sertão/RS às 13h30min (horário de Brasília) as nuvens se afastaram brevemente e então a luz solar eclipsada já se encontrava próxima do seu ápice, figura 3 e 4.

Figura 3: Luz do eclipse solar de 14/12/2020 em Sertão/RS no seu ápice sendo projetada indiretamente sobre um anteparo branco às 13h30min (horário de Brasília).

 

Figura 4: Imagem do Sol parcialmente eclipsado sendo obtida com auxílio de um telescópio refrator, 60 mm de diâmetro, e 800 mm de distância focal, pelo método da observação indireta.


   

  

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