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Estratégias do RS para transição energética e resiliência climática são detalhadas em evento na Inglaterra |
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| Governador Eduardo Leite e comitiva participaram de painel temático em Londres | |
Durante evento da Semana de Ação Climática de Londres (Inglaterra), o comitiva chefiada pelo governador gaúcho Eduardo Leite detalhou as estratégias do Rio Grande do Sul para transição energética, adaptação climática e fortalecimento da resiliência. Os temas de destaque na pauta incluíram a preparação para futuras mudanças e eventuais catástrofes.
A participação se deu no painel “Segurança energética e resiliência econômica: como Estados e regiões podem proteger comunidades e construir economias limpas”, realizado no âmbito da Cúpula de Ação Climática Local, principal encontro de governos regionais sobre o tema.
Leite compartilhou a experiência do Estado na construção de políticas públicas voltadas à descarbonização da economia e à preparação dos territórios para os impactos das mudanças climáticas, a partir do Plano Rio Grande. O governador destacou que o Estado já possui uma matriz elétrica majoritariamente renovável, mas enfrenta o desafio de conduzir uma transição energética justa para regiões cuja economia ainda depende da cadeia do carvão mineral.
As iniciativas apresentadas em Londres foram lançadas oficialmente em Porto Alegre na semana passada e integram o “ProClima 2050”, principal programa estadual de enfrentamento das mudanças climáticas. No pacote estão o Plano de Ação Climática (Plac) e o Plano de Transição Energética Justa para as Regiões Carboníferas (Ptej), que orientam as ações de adaptação aos impactos climáticos, redução de emissões poluentes e desenvolvimento sustentável no longo prazo.
“Não podemos pedir que essas comunidades arquem sozinhas com o custo da descarbonização”, frisou o chefe do Executivo gaúcho. “Por isso lançamos recentemente o Ptej, construído com ampla participação social e focado na reconversão econômica, qualificação dos trabalhadores e atração de novas atividades de baixo carbono.”
Ele explicou que o plano estabelece estratégias para reduzir gradualmente a dependência do carvão mineral nas regiões da Campanha e do Baixo Jacuí, conciliando compromissos de descarbonização e a proteção dos trabalhadores, comunidades e economias locais. O documento prevê ações voltadas à diversificação econômica, qualificação profissional, atração de novos investimentos e desenvolvimento de atividades alinhadas à economia de baixo carbono.
O governador também apresentou a experiência do Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024, considerada a maior catástrofe climática já registrada no Brasil em extensão territorial e população afetada. Leite ressaltou que a tragédia reforçou a necessidade de integrar as agendas de segurança energética, resiliência climática e desenvolvimento econômico.
“Criamos o Plano Rio Grande não apenas para reconstruir, mas para reconstruir melhor, com adaptação e preparação para os eventos extremos que já fazem parte da nossa realidade”, destacou. “Hoje entendemos claramente que não existe segurança energética sem infraestrutura resiliente.”.
Ao abordar os aprendizados da reconstrução, o governador ressaltou que um dos fatores decisivos para a viabilidade do Plano Rio Grande foi o acordo firmado com o governo federal. A medida permitiu a suspensão temporária do pagamento da dívida estadual, destinando cerca de US$ 3 bilhões (R$ 14 bilhões) para investimentos em resiliência climática e recuperação da infraestrutura.
A participação do Rio Grande do Sul integrou a programação da Under2 Coalition, principal rede global de governos subnacionais comprometidos com metas de redução de emissões e adaptação climática. Junto com Eduardo Leite estavam os titulares da Secretaria Extraordinária Geral de Governo, Artur Lemos, do Meio Ambiente e Infraestrutura, Marjorie Kauffmann, além da secretária-adjunta da Reconstrução Gaúcha, Ângela Oliveira.
Transição para energia limpa e protagonismo subnacional
Ao longo do dia, Leite também acompanhou a abertura oficial da LCAW, conduzida pelo secretário-geral da Oganização das Nações Unidas (ONU), António Guterres. Em seu discurso, o espanhol defendeu uma transição acelerada e justa para fontes limpas de energia, afirmando que a crise climática e o desafio energético compartilham a mesma origem: a dependência dos combustíveis fósseis.
O dirigente destacou que Estados, províncias e municípios são os espaços onde as metas climáticas se transformam em resultados concretos para a população. Também ressaltou que os governos subnacionais são as lideranças mais próximas das pessoas e, por isso, desempenham papel decisivo na implementação da ação climática. O secretário-geral pediu que Estados, regiões e cidades continuem ampliando sua ambição climática, combatendo a desinformação, defendendo a ciência e fortalecendo a cooperação internacional para acelerar a implantação de soluções que gerem empregos, segurança energética, infraestrutura resiliente e prosperidade para as comunidades.
Ainda durante a programação, o governador participou da Assembleia de Impacto promovida pelo Earthshot Prize, iniciativa criada pelo príncipe William, herdeiro da realeza britânica, para identificar, apoiar e dar escala a soluções inovadoras voltadas à proteção ambiental e ao enfrentamento dos desafios meteorológicos. A premiação atua globalmente conectando projetos de impacto a financiamento, à visibilidade internacional e a redes de colaboração capazes de acelerar sua implementação.

