Colheita da soja avança no RS, mas clima irregular impacta ritmo e produtividade
Chuvas frequentes dificultam operações no campo, aumentam perdas em algumas regiões e refletem em diferentes culturas no Estado

Por Emater RS
20/04/2026 06h19

A colheita da soja no Rio Grande do Sul segue avançando na safra 2025/2026, embora enfrente desafios provocados pelas condições climáticas. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar, a recorrência de chuvas com volumes irregulares entre as regiões tem mantido elevada a umidade do solo e das plantas, dificultando a entrada de máquinas nas lavouras e causando interrupções frequentes nas operações.

O cenário atual ainda apresenta lavouras em diferentes estágios de desenvolvimento, com predomínio de áreas em maturação, enquanto outras seguem em fases de enchimento de grãos e floração. Essa diversidade reflete a ampla janela de plantio adotada pelos produtores nesta safra.

A produtividade da soja tem apresentado grande variação entre regiões e até dentro de um mesmo município. O desempenho está diretamente ligado à distribuição das chuvas ao longo do ciclo, especialmente durante o período crítico de enchimento de grãos. Em áreas onde houve melhor regularidade hídrica e manejo mais tecnificado, os resultados são considerados satisfatórios. Já nas regiões mais afetadas, há registros de perdas expressivas, incluindo casos em que a produção não cobre os custos.

Outras culturas também enfrentam reflexos das condições climáticas. A colheita do milho se aproxima do fim no Estado, com bom desempenho geral e grãos de qualidade, embora haja registros pontuais de perdas associadas à umidade elevada e ao atraso nas operações. As lavouras implantadas fora da janela ideal ainda estão em desenvolvimento, beneficiadas pelas chuvas recentes, apesar de impactos anteriores causados por estiagem e altas temperaturas.

No caso do milho destinado à silagem, o avanço da colheita ocorre de forma mais lenta, principalmente devido à dificuldade operacional causada pela umidade nas lavouras. Ainda assim, a qualidade da silagem tem sido favorecida pela manutenção da área foliar verde das plantas, mesmo com porte inferior ao esperado em algumas áreas.

A colheita do feijão da primeira safra já foi concluída no Estado, com resultados afetados por condições climáticas desfavoráveis durante o período reprodutivo em algumas regiões, especialmente nos Campos de Cima da Serra. Já o feijão da segunda safra apresenta bom desenvolvimento, sustentado por umidade adequada do solo e temperaturas elevadas, o que favorece o enchimento de grãos e mantém boas perspectivas de produtividade.

Na cultura do arroz, a colheita segue avançando, apesar da redução no ritmo em função da umidade elevada do solo e dos grãos. Segundo o Instituto Riograndense do Arroz, os rendimentos são satisfatórios, com boa qualidade dos grãos e altos índices de rendimento industrial. As lavouras remanescentes já estão maduras, indicando proximidade do encerramento da safra.

No setor pecuário, o período é de transição entre as pastagens de verão e de inverno, com redução gradual da qualidade nutricional do pasto. As chuvas recentes têm contribuído para o estabelecimento das forrageiras de inverno, influenciando diretamente o planejamento alimentar dos rebanhos.

Na bovinocultura de corte, o cenário é de estabilidade no estado corporal dos animais, embora o calor e a alta umidade representem desafios ao manejo e possam impactar o desempenho reprodutivo. Já na bovinocultura de leite, há redução na produção em sistemas mais dependentes de pastagens, em razão da queda na qualidade do alimento e do estresse térmico, o que tem levado produtores a intensificar o uso de silagem e ajustar a dieta.

De forma geral, o cenário agropecuário no Estado reflete os efeitos de um clima irregular ao longo da safra, exigindo constante adaptação dos produtores e impactando diretamente o desempenho das principais culturas e atividades do campo.

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