Florescimento do trigo começa no Rio Grande do Sul
Apesar do excesso de chuvas e da elevada umidade do solo, lavouras apresentam desenvolvimento satisfatório 6 das áreas da região de Santa Rosa já entraram em floração

Por Emater RS
10/08/2026 08h10

As lavouras de trigo avançam para uma nova etapa do ciclo no Rio Grande do Sul, com o início da fase de floração em algumas regiões. De maneira geral, a cultura apresenta desenvolvimento satisfatório, apesar das dificuldades provocadas pelo excesso de chuvas registrado nas últimas semanas.

Conforme o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado na quinta-feira (6), a elevada umidade dos solos dificultou o tráfego de máquinas, a aplicação de adubação nitrogenada em cobertura e os tratamentos fitossanitários. Mesmo assim, até o momento não foram observados atrasos expressivos nas operações.

Atualmente, cerca de 97% das lavouras gaúchas permanecem em desenvolvimento vegetativo e perfilhamento, enquanto 3% já avançaram para as fases reprodutivas iniciais. O aumento da radiação solar no final do período analisado contribuiu para a retomada do crescimento das plantas.

Na região de Santa Rosa, o avanço é maior, com 6% das lavouras de trigo já em floração. Em Santo Antônio das Missões, um episódio de granizo provocou acamamento de plantas, mas a expectativa é de recuperação de grande parte do potencial produtivo.

Outras culturas de inverno

A canola também apresenta evolução considerada satisfatória no Estado. As lavouras estão em diferentes estágios, desde o desenvolvimento vegetativo até o início da maturação. A área cultivada é estimada em 353,3 mil hectares, com produtividade média projetada em 1.619 quilos por hectare.

As chuvas e a baixa luminosidade reduziram temporariamente o crescimento da cultura e aumentaram a preocupação com a fecundação das flores nas áreas em floração. Até agora, porém, os impactos são considerados pontuais.

Granizo e ventos fortes causaram prejuízos em algumas localidades. Em Capão do Cipó, mais de mil hectares de canola foram atingidos, com perdas inferiores a 10% do potencial produtivo. Já em Quevedos, aproximadamente 300 hectares sofreram danos de elevada intensidade, com perda total nas áreas afetadas.

As lavouras de carinata, aveia-branca e cevada também apresentam, de maneira geral, desenvolvimento satisfatório. O excesso de umidade tem dificultado alguns manejos e elevado a atenção para doenças, mas ainda sem impactos significativos sobre o potencial produtivo estadual.

Pastagens sentem excesso de umidade

Nas pastagens, o período chuvoso provocou encharcamento do solo em diversas regiões. Em áreas de aveia e azevém da região de Erechim, o crescimento diminuiu, embora o desenvolvimento permaneça satisfatório. Produtores precisaram readequar a lotação dos animais para evitar superpastejo, compactação do solo e perda de produtividade.

Na região de Passo Fundo, o excesso de chuva também dificultou o acesso dos animais e a realização das adubações de cobertura. Houve registro de danos causados por granizo em áreas de Lagoa dos Três Cantos, Não-Me-Toque e Ernestina.

Na ovinocultura, as chuvas frequentes e a elevada umidade aumentaram a necessidade de cuidados com matrizes e cordeiros recém-nascidos, principalmente para prevenir problemas nos cascos, infecções parasitárias e doenças respiratórias.

menu
menu